rodas nas ruas blog

Nos dias 31 de outubro e 01 de novembro ocorreu em João Pessoa, na praça Vital de Negreiros, mais conhecida como  “Ponto de Cem Réis” o festival Station Brésil – Aonde os Ritmos se Encontram, com a participação de bandas e músicos brasileiros e franceses, que fez parte das comemorações do Ano da França no Brasil, os destaques foram as apresentações das bandas: Renata Arruda, Banda de Pífanos da Serra de Jabitacá, Jeanne Cherhal, Spleen, Cibelle, Bertignac, Zélia Duncan Mathieu Boogaerts e a fantástica Orquestra Sanhauá. O evento contou com o apoio da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), por intermédio da sua Fundação Cultural (Funjope).

A organização estava impecável, segurança, o som e a luz perfeitos e pela primeira vez por essas bandas havia um camarote elevado posicionado em frente ao palco, com uma visão total do palco, destinado a portadores de deficiência e pessoas com dificuldade de locomoção, tudo muito bem projetado, a rampa de acesso com a inclinação ideal, segurança, coberto (isso é importante pois em caso de chuva, nada de correr em busca de uma marquise), serviço de vendedores de bebidas, IMPECÁVEL!

O camarote havia espaço suficiente para 40 cadeirante e seus acompanhantes, mas infelizmente a realidade foi outra, no sábado havia apenas outro cadeirante e uma simpática idosa e no domingo apenas eu e minha noiva ocupamos o lugar, cadê essa galera? Essa pergunta incomoda, provavelmente uma grande parcela dos amigos “cadeirudos, cadeirudos e afins” estavam em casa assistindo TV, é uma realidade chocante, fruto do preconceito.

Não posso considerar João Pessoa um exemplo de acessibilidade, mas nos últimos anos as melhorias foram vistas e sentidas, rampas padronizadas, uma revitalização (em andamento) das calçadas principalmente no centro, nas principais avenidas e nas praias o transporte público com a mar frota de ônibus acessíveis do nordeste (proporcional), então aonde estão “cadeirudos, cadeirudos e afins”, a questão é cultural.

Conversando com uma amiga também cadeirante surgiu a idéia de criar um movimento batizado de Rodas nas Ruas, desejamos através do lazer, da cultura, do esporte, promover uma maior inclusão da pessoa portadora de deficiência na sociedade, mostrando a ela que mesmo muitas vezes sofrendo preconceitos e até discriminações ela deve buscar seu espaço e lutar pelos seus direitos.

Então cadeirantes, muletantes e afins abasteçam suas cadeiras com muita disposição para a diversão e vamos aproveitar, toda semana novos eventos serão selecionados, uma boa desculpa para nos conhecermos e curtir! Para manter o movimento ativo e informado criamos uma comunidade no Orkut http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=95850941

Rio 2016 candidate city

Não chorei, nem uma lágrima sequer, não pulei, nem um grito sequer para comemorar a escolha do Rio de Janeiro para sediar as olimpíadas e paraolimpíadas de 2016, as lágrimas do presidente Lula, não me emocionaram, só pensava que parte dos R$ 30 bilhões inicialmente previstos parar serem gastos no Rio, sairão do meu bolso, dos impostos que sou obrigado a pagar.

Não nego que um evento desse traz consigo uma série de benefícios sociais, melhoras na infra-estrutura, no transporte, na segurança, incentivos para o esporte, visibilidade internacional, mas não devemos esquecer que o “time” de engravatados que irá administrar essa verba milionária que será injetada no Rio é recordista em superfaturamento sem barreiras, em recebimento de comissões em malas e cuecas, em pagamento de propinas, enfim, como sabemos também somos medalha de ouro em corrupção.

O ideal seria direcionar esse investimento para o incentivo do esporte de base, não apenas localizado em uma única cidade e sim um projeto nacional. Empreiteiros, burocratas, políticos, verbas públicas, cofres abertos, olha o samba do crioulo doido ai minha gente! Vamos ficar de olhos abertos, afinal que pagará por essa festa também é você.

Foto: Milton Michida

Foto: Milton Michida

Circuito das Árvores, no Parque Villa-Lobos, é acessível para pessoas com deficiência

O governo do Estado de São Paulo lançou no dia 21 de setembro – Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência – o Circuito das Árvores, uma espécie de trilha acessível às pessoas com deficiência. O evento, organizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, também foi marcado pelo início do processo de plantio de mais 8.400 mudas de espécies nativas brasileiras.

O Parque Villa-Lobos, que recebe a visita de cerca de 500 mil pessoas por mês, é considerado o primeiro parque de São Paulo completamente acessível para pessoas com deficiências e está dotado de banheiros acessíveis, rampas, telefones para surdos, mapas táteis e marcações padronizadas no solo, para os cegos.

O Circuito das Árvores é uma passarela elevada que chega até 3,5 metros de altura e tem uma extensão de 120m, possibilitando a observação da fauna e flora de bosques do Parque. A estrutura é feita de madeira de reflorestamento cedida pela Estação Experimental de Itapetininga, ligada ao Instituto Florestal – IF e projetada para não impactar a vegetação do local. As espécies de árvores e aves serão identificadas ao longo do caminho.

Além do Dia da Árvore, a inauguração do Circuito das Árvores acontece em meio à comemoração de mais um aniversário do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Instituída em 1982, em meio a um clamor nacional pela transição do período reacionário da ditadura militar para um período de construção de uma sociedade democrática, a data é um pleito pela conscientização da sociedade sobre as necessidades, principalmente de inclusão, do segmento.

Uma das reivindicações mais antigas dos movimentos e das lideranças do segmento é pela acessibilidade da pessoa com deficiência aos bens e serviços públicos disponíveis nos municípios. “Prestigiamos o lançamento do Circuito das Árvores para demonstrar o aplauso do público com deficiência à preocupação constante e crescente do Governo de São Paulo com a efetiva inclusão dessas pessoas, que também têm direito ao esporte e ao lazer, como todo cidadão do Estado”, disse a secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella, presente no evento.

O Parque Villa-Lobos fica na Av. Professor Fonseca Rodrigues, 1.655, Alto de Pinheiros, São Paulo.

Fonte: Revista Sentidos

Uma sociedade civilizada é construída basicamente pelo convívio harmônico de pessoas diferentes, crenças diferentes, ideologias diferentes, posicionamento político diferente, cores, tamanhos, sotaques, manias e neuras diferentes, essa é formula ideal de convivência, respeitar o diferente e crescer, aprender com essa diversidade toda.

Esse respeito é plantado e cultivado ainda na infância, então crianças criadas em famílias preconceituosas, alimentadas com doses de arrogância, prepotência e adubadas com intolerância e autoritarismo, tornam-se verdadeiros monstros insuportáveis, “donos da verdade”, muitas vezes com menos de 10 anos de idade.

Participando de um grupo de discussão sobre pessoas com deficiência, estudando a questão da curiosidade infantil frente ao diferente, após levantarmos diversas teses e opiniões distintas, novamente as diferenças e o respeito a elas, chegamos a conclusão que existem dois grupos, as crianças com uma curiosidade inocente que nos abordam e perguntam: Tio, o que houve? Você está nesse carrinho por quê? E aquelas crianças que apontam e riem, essas classifico de mal educadas.

O primeiro grupo é que devemos nos preocupar e dedicar tempo e energia para ajudar a educá-las, falar que o “tio” sofreu um acidente ou teve uma doença, por isso está naquele “carrinho”, mas que pode fazer tudo o que o papai e a mamãe fazem, o segundo grupo, bem, não sou nada politicamente correto, os mal educados, vítimas de família preconceituosa, não dou ouvidos, nem sequer olho ou escuto, também não sinto-me agredido, sinto-me preocupado pois esses pequenos “monstrinhos” sem educação tranformar-se-ão em adultos pouco civilizados, que tornam o convívio social complicado.

Av. Paulista - MASP

Av. Paulista - MASP

Todos desejamos uma cidade mais acessível, com ruas e calçadas bem cuidadas, sem buracos, batentes, desníveis, principalmente nós cadeirantes ou pessoa com dificuldade de locomoção, já tive experiências maravilhosas na Europa, soluções simples que nos oferecem conforto e segurança, utopia querer isso aqui nas nossas cidades? Não, não é utopia e pode ser realidade, necessitando apenas de respeito, educação e iniciativas públicas e privadas.

A avenida Paulista é um exemplo dessa decisão do poder público e da sociedade em tornar a cidade mais acessível, garantindo o direito básico de acesso a todos, independente de sua condição. Para os políticos, burocratas, melhor “burrocratas” e legisladores, cabe planejar e implementar políticas de acessibilidade e inclusão, para o empresariado e para os “donos do poder” a matemática é simples, perceberam que esse público antes esquecido, gera bons lucros.

Viu que não é uma equação complicada, então o dinheiro aplicado na construção de uma rampa, na abertura de uma porta mais larga, na instalação de uma plataforma, não é despesa é investimento, a turma das quatro rodas, das muletas e bengalas gasta e gasta bem, então passamos a ser bem vindos, cheguei a ver em um restaurante na Paulista um depósito para água e ração para cão guia, há um tempo não muito distante os cães eram proibidos de circular até no metrô.

Tornar o inacessível em acessível, quebrar as barreiras arquitetônicas para vencer definitivamente a barreira da exclusão, do preconceito é o primeiro passo para a igualdade e para uma sociedade mais justa.

sampa_bus

São Paulo sempre encantou-me desde criança, a arquitetura, as pessoas, os sotaques, o cinza do concreto contrastando com o verde dos parques, o trânsito! Opa!!! O transito?? Isso mesmo o pior trânsito do país, caótico, barulhento, irritante, esse foi o motivo da minha viagem para São Paulo, precisava testar minha mobilidade e adaptação ao uso de transporte público, principalmente ônibus e metrô, adequados ou não para cadeirantes, essa experiência era fundamental para o projeto do curta-metragem na Europa, além do filme que será filmado em Frankfurt, em julho de 2010 irei morar em Valência na Espanha e usarei apenas transporte público.

Fiquei hospedado na Pompéia, próximo ao campo do Palmeiras, rodava até a esquina e chegava ao ponto de ônibus, de lá seguia até o metrô Vila Madalena ou até a Av Dr. Arnaldo, ou até a Paulista desses pontos cheguei a qualquer canto, cinza ou verde de Sampa, bem, os ônibus, com o piso rebaixado e rampas, melhor solução, mais prática e rápida para o embarque e desembarque, ou com plataformas hidráulicas o trocador / cobrador auxiliava no embarque e no desembarque, parecia que receberam treinamento para essas tarefas, o ônibus pode parar aonde precisasse, mesmo fora do ponto, por ser cadeirante não pagava a tarifa, a cadeira era fixada a um cinto de segurança, nem balançava, mesmo descendo aquelas ladeiras do Sumaré a quase 60Km/h, adrenalina a mil, me sentia em um mega skate, mas com a cadeira pesa, sentia-me seguro.

Poucas estações de metrô possuem elevadores, muitas estão instalando os elevadores e até ano que vem, todas terão elevadores, observei que em todas as estações que passei havia piso tátil, na falta do elevador, seguia de escadas rolantes com o auxílio de funcionários do metrô, na grande maioria das vezes educados e prestatíveis. O primeiro trem é prioritário para idosos, gestantes e deficientes, mas nem sempre isso é respeitado, principalmente nos horários entre 6h00 e 9h00 e após às 17h00, no metrô o cadeirante que não é cadastrado paga o bilhete, nesse horário, fazia meu direito ser respeitado na força e seguia a máxima: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”, do contrário ainda estaria na Sé esperando embarcar.

O resumo dessa aventura de 10 dias foi positivo, lógico que o ideal seria todos os ônibus serem acessíveis, a frota de ônibus ser no mínimo duplicada, e todas as estações de metrô completamente acessíveis, mas constatei que por onde andei encontrei funcionários treinados, um forte indício da preocupação do poder público com a questão da inclusão do respeito e da acessibilidade, lembrando que para ser respeitado, antes tenho que chegar lá.

O projeto do curta-metragem Cidades Sobre Rodas, do Sanhauá ao Meno, um Foco Diferente, infelizmente será executado apenas no final de 2010 e início de 2011, o principal motivo do adiamento foi a falta de patrocínio que cobrisse as despesas de captura das imagens, edição e finalização do curta-metragem.

Agradeço antecipadamente o apoio de todos que acreditaram no projeto.

Fred Carvalho

goethe

 

O Goethe-Institut do Brasil apóia a iniciativa do projeto Cidades Sobre Rodas, do Sanhauá ao Meno, um Foco Diferente, destacando a divulgação da cultura alemã e de tratar de maneira criativa a questão da acessibilidade e a integração dos portadores de deficiência na sociedade, o Goethe-Institut do Brasil forneceu uma carta de referência em alemão e em português.

O Instituto Goethe ou Goethe-Institut é uma instituição alemã sem fins lucrativos que tem por objetivo divulgar pelo mundo, em especial países não-falantes do idioma alemão, a língua e a cultura alemã. Sua principal atividade é voltada para o ensino da língua alemã como segundo idioma. O segundo objetivo do instituto é fortalecer as relações culturais internacionais da Alemanha.

O instituto recebeu seu nome em homenagem ao poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe.

O documentário curta-metragem, intitulado Cidades Sobre Rodas, do Sanhauá ao Meno, um Foco Diferente, apresentará João Pessoa, capital da Paraíba, localizada às margens do rio Sanhauá e Frankfurt, maior cidade do estado de Hessen, localizada às margens do rio Meno, de um ângulo diferente.

O autor do roteiro é Frederico de Carvalho Carneiro, publicitário, fotógrafo, cadeirante, portador de Charcoth Marrie Toth II, uma doença degenerativa que causa atrofia nos membros de extremidade. Com a visão do mundo a sua volta posto à altura de 112 cm, pretende com o documentário chamar a atenção da sociedade para a questão da acessibilidade, mobilidade, além da inclusão da pessoa portadora de necessidades especiais na sociedade e a busca pela cidadania e igualdade.

Com caráter educacional levará o público à reflexão de questões relativas a preconceitos, direitos, deveres, acessibilidade, respeito e tolerância, fazendo-o perceber que não existem apenas barreiras arquitetônicas e físicas, essas são fáceis de serem vencidas e que também é fácil destruir as demais barreiras, mesmo inicialmente parecendo intransponíveis, afinal somos todos iguais.

Com a câmera fixada em um monopé adaptado e fixado na própria cadeira de rodas e com o foco posto na altura dos olhos a exatamente 112 cm do solo, o autor, apresentará as cidades de João Pessoa e Frankfurt de ângulos diferentes dos convencionais, exaltando aspectos da sua arquitetura, seu povo e sua cultura.

O projeto inclui ainda um blog com um “diário de produção”, com fotografias e vídeos, possibilitando o acompanhamento de todas as etapas de produção, além de informações sobre os locais filmados e suas condições de acessibilidade. Serão utilizados ícones e legendas que informarão ao leitor e ao visitante sobre as condições de acessibilidade do local: se é atendido por transporte público, se há acesso para deficientes físicos e demais condições de infra-estrutura voltadas para o cadeirante ou a pessoa com dificuldade de locomoção.

Serão duplicadas 500 cópias em DVD, incluindo o vídeo, making off e fotografias, que serão distribuídos nas escolas públicas da Paraíba.

A escolha das duas cidades deu-se por existir nas duas cidades uma preocupação na adequação estrutural facilitando a acessibilidade e mobilidade dos portadores de deficiência física, permitindo o convívio e a interação social – o poder público vem investindo em obras de infra-estrutura, o comércio, escolas, equipamentos culturais (museus, teatros e cinemas), equipamentos turísticos (hotéis, pousadas, restaurantes e bares) perceberam que as pessoas portadoras de alguma deficiência também saem de casa, estudam, trabalham, divertem-se, viajam e consomem.

Sendo uma questão meramente educacional e cultural, com características distintas e variáveis de cada sociedade, a forma de interação e integração da pessoa portadora de deficiência física em seu meio, influencia diretamente a maneira com que essa pessoa é vista e respeitada com igualdade por essa sociedade.